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De 8 a 10 de abril de 2026, os parceiros do HY4RES reuniram-se em Portugal para um encontro de três dias organizado pelo Instituto Superior Técnico (IST), em Lisboa. Apesar das fortes tempestades que atingiram Portugal no início de 2026, a equipa local conseguiu instalar com sucesso o sistema híbrido de energias renováveis no local-piloto de energia comunitária situado no Moinho da Senhora do Salto, na região do Porto. Este quinto encontro presencial proporcionou a oportunidade de visitar a nova instalação e trocar perspetivas com os intervenientes locais durante um workshop organizado nas instalações de tratamento de água da Águas do Douro e Paiva, em Lever.
No primeiro dia, nas instalações do IST, cada parceiro apresentou os progressos alcançados nos diferentes pacotes de trabalho do projeto. Dídia Covas, Vice-Presidente da unidade de investigação Civil Engineering Research and Innovation for Sustainability (CERIS), deu início à jornada e destacou a vasta experiência do IST nas áreas da engenharia hidráulica e ambiental e dos recursos hídricos.
À medida que o projeto entra no seu último ano, todos os pilotos foram instalados com sucesso. Estes quatro locais-piloto refletem a diversidade de contextos em que os sistemas híbridos podem ser implementados:
Nos últimos meses, o HY4RES alcançou progressos significativos no desenvolvimento de software inteligente para a gestão de energias renováveis. Está a ser desenvolvida uma plataforma de apoio à decisão destinada a otimizar os sistemas de energias renováveis através de previsões e análises de cenários. A plataforma integra:
A plataforma baseia-se em conjuntos de dados históricos, estando prevista a futura integração de dados em tempo real provenientes do local-piloto de regadio. A versão operacional final destina-se principalmente a apoiar os operadores do sistema de rega da exploração agrícola Las Catalinas, permitindo também análises comparativas entre todos os locais-piloto do HY4RES.
Foram igualmente apresentadas estratégias de otimização multiobjetivo destinadas a maximizar a utilização de energias renováveis e minimizar os custos da energia convencional em diferentes condições de procura de água. Esta otimização permite apoiar estratégias de operação mais adaptativas e eficientes para sistemas híbridos em contextos reais.
Os quatro locais-piloto do HY4RES estão a ser avaliados em termos de sustentabilidade através de uma abordagem sistémica que integra as dimensões ambiental, social e económica. Este estudo inclui a avaliação das dependências relativamente aos serviços dos ecossistemas, como a disponibilidade de recursos naturais (água, solo, terras raras, etc.).
Além disso, o projeto aborda os impactos ambientais dos sistemas hidroelétricos, com especial enfoque na modelação da passagem de peixes. Utilizando a enguia como espécie de referência para os ensaios laboratoriais, o trabalho procura otimizar a conceção de unidades de bomba centrífuga de parafuso a funcionar como turbina, com o objetivo de prevenir lesões nos peixes e melhorar a compatibilidade das operações das turbinas com os ecossistemas fluviais.
O segundo dia do encontro centrou-se nas atividades de campo e no diálogo com os intervenientes locais, com uma visita, durante a manhã, ao local-piloto de energia comunitária de Senhora do Salto e um workshop, durante a tarde, na estação de tratamento de água da Águas do Douro e Paiva.
No local-piloto do Moinho da Senhora do Salto, um moinho histórico situado junto ao rio Sousa, no norte de Portugal, os participantes exploraram o sistema híbrido de energias renováveis integrado numa estrutura hidráulica reabilitada: uma combinação de património cultural e inovação em energias renováveis.
Situado num desfiladeiro natural caracterizado por escarpas íngremes e caudais elevados, o local oferece condições favoráveis para testar sistemas híbridos de energias renováveis. Os participantes percorreram o açude e a levada históricos, elementos fundamentais do património hidráulico do local que agora contribuem diretamente para a produção de energia.
Este piloto integra três fontes de energia renovável:



Todos os componentes estão interligados através de um quadro de controlo híbrido, um inversor e um sistema de armazenamento em baterias, formando uma microrrede totalmente funcional. Este sistema otimiza automaticamente os fluxos de energia, armazena o excedente de produção e fornece eletricidade estável ao moinho e às instalações circundantes. Para além da configuração técnica, o piloto demonstra como os sistemas energéticos modernos podem ser integrados em infraestruturas patrimoniais existentes, preservando a identidade histórica e permitindo simultaneamente novos usos.
Durante a tarde, os participantes reuniram-se na estação de tratamento de água da Águas do Douro e Paiva, que abastece 22 municípios da região do Porto. Vítor Pereira, Responsável Regional pelo Abastecimento de Água, apresentou as atividades da organização e destacou o seu forte desempenho na gestão da água, bem como os esforços em curso em matéria de eficiência energética, implementação de energias renováveis e abordagens de economia circular, incluindo a reutilização de lamas.
Rios, património e potencial das energias renováveis
Francisco Piqueiro (Universidade do Porto) alargou a discussão, destacando os rios simultaneamente como recursos energéticos e património cultural. Com cerca de dois mil moinhos no norte de Portugal, estas estruturas representam um potencial significativo para a produção descentralizada de energias renováveis. Tiago Reis Oliveira apresentou um exemplo concreto de reabilitação de um moinho, transformando uma estrutura histórica num projeto de turismo sustentável que integra energias renováveis, preservando simultaneamente o património cultural.
A abordagem HY4RES e a demonstração dos pilotos
Os parceiros do HY4RES apresentaram, em seguida, a abordagem do projeto nas suas quatro áreas-piloto: agricultura, aquacultura, portos e comunidades energéticas. O piloto português foi destacado como um sistema não convencional de pequena escala que combina múltiplas fontes renováveis numa estrutura existente, demonstrando de que forma as soluções híbridas podem ser adaptadas às condições locais.
Seguiu-se um workshop com os intervenientes locais, utilizando um formato interativo para explorar caminhos para uma maior autossuficiência energética das comunidades. Entre as principais conclusões destacou-se o forte interesse pelos sistemas energéticos descentralizados e o reconhecimento da importância da gestão inteligente da energia enquanto fator central para a sua implementação.
Os participantes manifestaram também preocupações relativamente à viabilidade económica, em particular quanto aos custos de investimento e períodos de retorno, bem como à necessidade de apoio político e incentivos regulamentares. O envolvimento das comunidades, a educação e a sensibilização foram igualmente identificados como elementos essenciais para uma implementação bem-sucedida.
A maioria dos participantes estimou um prazo de 5 a 10 anos para a implementação destes sistemas em larga escala, refletindo tanto o otimismo como os desafios futuros.
Ao combinar uma visita a um piloto em contexto real com discussões interativas, o dia proporcionou uma perspetiva abrangente sobre a forma como os sistemas híbridos de energias renováveis podem ser implementados, experienciados e desenvolvidos em colaboração com os intervenientes locais.
O último dia encerrou o encontro de parceiros com um compromisso partilhado de tirar partido dos resultados obtidos e garantir que o conhecimento e a experiência desenvolvidos no âmbito do HY4RES possam contribuir para futuras iniciativas e apoiar uma implementação mais ampla dos sistemas híbridos de energias renováveis, reforçando o seu papel na promoção de transições energéticas sustentáveis em toda a Europa.
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